terça-feira, 6 de abril de 2010

AINDA QUE MAL




Ainda que mal pergunte,

Ainda que mal respondas;

Ainda que mal te entenda,

Ainda que mal repitas;

Ainda que mal insista,

Ainda que mal desculpes;

Ainda que mal me exprima,

Ainda que mal me julgues;

Ainda que mal me mostre,

Ainda que mal me vejas;

Ainda que mal te encare,

Ainda que mal te furtes;

Ainda que mal te siga,

Ainda que mal te voltes;

Ainda que mal te ame,

Ainda que mal o saibas;

Ainda que mal te agarre,

Ainda que mal te mates;

Ainda assim te pergunto

E me queimando em teu seio,

Me salvo e me dano: AMOR!

 

*Carlos Drummond de Andrade

Sou...


Da faca o corte
Da bússola o norte
A lucidez embriagada
O silencio da palavra
Sou o rato no labirinto
Metal que compra carne
A linha invisível
Entre loucura e consciência
Sou estilete sem cabo
Ferida que sangra
Do caminho o atalho
A trilha pro nada
folha no vendo
pedra de toque
O frio da alma
flor do pântano
Anjo caído
Menino perdido
A coragem do medo
A fome do desespero
Da justiça à sede
A grade na janela
A prisão que liberta
A mãe que chora
O pai que assevera
O olho que vaga
A perna que treme
A mão que sustenta
Sonho abortado
Beijo Roubado
O ano que acaba
Lembrança esquecida
Esperança renascida
Imagem ungida
A crença confinada
Rio que passa
Floresta que morre
Fome que mata
Sou tudo...
...E nada.

O Amor


Arrepios a alma solta por aí
Guardo o aconchego de teus abraços
E corro sob o azul dos céus
Sobre o azul do mar...

Abro os braços ao teu abraço
Aconchego-me nas carícias  das tuas mãos
Movo-me em sintonia 
Com meus pensamentos
Na fantasia da luz de teu sol
Em mim...

Incendeia-me os sentidos
Inflama-me a alma
E me êxtasias de amor
Com  teus  lábios 
Que beijam e calam
SEM MIM...

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